Por Folhapress

Foto: Magnific
O dólar fechou em alta de 0,27%, a R$ 5,191, nesta quinta-feira (13), com o fluxo de saída de investidores estrangeiros do Brasil, que tem marcado agosto, pressionando os ativos domésticos ao longo do pregão.
Novos dados de inflação nos Estados Unidos, abaixo do esperado, também estiveram no radar dos investidores.
Os números reforçaram as apostas de que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) poderá adotar uma postura mais favorável a cortes de juros, aumentando o apetite por ativos de risco. O efeito, contudo, foi limitado pela retirada de recursos do mercado doméstico.
A Bolsa, por outro lado, fechou em recuo de 0,23%, aos 167.100 pontos, com as ações da Hapvida entre os destaques negativos do dia. O índice encerrou no menor nível desde 20 de janeiro, quando terminou a sessão aos 166.276 pontos.
Em pregões recentes, os ativos domésticos têm sido pressionados pela saída de investidores estrangeiros da Bolsa.
Até o dia 11, o saldo de agosto está negativo em R$ 11,9 bilhões, o que, até o momento, coloca o mês como o segundo pior saldo do ano, atrás apenas de maio. No acumulado de 2026, porém, o saldo permanece positivo em R$ 29,1 bilhões.
"Os ativos locais continuam fragilizados pela saída de estrangeiros e pela proximidade do pleito eleitoral, que reforça os riscos fiscais e mantém o prêmio de risco elevado", diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
O cenário eleitoral e as preocupações fiscais também pressionam os ativos brasileiros. Os fatores foram citados pelo banco JPMorgan ao reduzir a recomendação para as ações brasileiras de "overweight" (acima da média) para "neutra".
"O rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan contribuiu para destravar essa percepção do investidor estrangeiro, que estava um pouco mais alheio a essa questão. O investidor local é que estava mais preocupado com a eleição, a dinâmica da dívida bruta e o crescimento real das despesas. Isso começou a chegar um mais ao investidor estrangeiro agora, que, sem dúvidas, tem muita força para fazer preço", diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Também pesa a perspectiva de juros elevados por mais tempo, em meio às incertezas relacionadas à guerra no Irã. A Selic em patamar elevado favorece os investimentos de renda fixa e reduz parte da atratividade da Bolsa.
O conflito no Oriente Médio também favorece ativos considerados mais seguros, como o dólar. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de seis moedas, acumula alta de 2,46% desde o início da guerra, ante recuo de 0,72% no acumulado do ano até então.
"Continua um fluxo de saída, de aversão a risco e de saque de investidores estrangeiros, retirando parte do que colocaram durante o ano. E, lá fora, o cenário é de empolgação por conta de tecnologia e inteligência artificial", diz Gabriel Mota, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.
Lá fora, investidores repercutiram novos dados de inflação nos Estados Unidos abaixo do esperado, o que reforçou as apostas em um menor ritmo de cortes do Fed (Federal Reserve), o banco central americano.
Na comparação com o mês anterior, os preços ao produtor nos EUA ficaram estáveis em julho, enquanto, na base anual, a alta foi de 4,7%. As expectativas, segundo pesquisa da Reuters, eram de avanços de 0,2% e 4,9%, respectivamente.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o resultado reforçou o cenário de desaceleração gradual da inflação nos Estados Unidos. "O resultado sinalizou que a pressão inflacionária observada nos últimos meses perde força. Embora a inflação acumulada em 12 meses permaneça elevada, esse patamar reflete o efeito dos meses anteriores, enquanto dados mais recentes apontam para uma trajetória de acomodação", afirma.
Segundo Alves, a leitura é positiva para o mercado. "Um dado acima do esperado aumentaria as preocupações com a persistência da inflação e poderia reforçar a expectativa de uma política mais restritiva do Fed. Como isso não ocorreu, o indicador contribui para um ambiente mais favorável aos ativos de risco", diz.
Dados do FedWatch, do CME Group, mostram que houve aumento nas apostas da manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, após a divulgação do indicador. Segundo analistas consultados, havia 65,6% de chance de manutenção, ante 59,6% na véspera (12).
Nos EUA, as Bolsas S&P 500, Nasdaq e Dow Jones subiram em bloco, com altas de 0,65%, 0,81% e 0,13%.
O pregão ainda teve a divulgação de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que informou que o setor varejista brasileiro encerrou o segundo trimestre com alta nas vendas acima do esperado em junho.
O avanço foi de 0,5% na comparação com maio, acelerando o ritmo em relação ao mês anterior e sinalizando alguma resiliência do consumo, mesmo diante do cenário de juros ainda elevados.
Para André Valério, economista sênior do Inter, apesar do avanço, o resultado de junho reforça sinais de moderação da atividade.
"O desempenho de junho foi amplamente explicado por supermercados, um consumo essencial. No ano, grande parte do crescimento é oriundo de combustíveis, farmacêuticos e supermercados, consumos essenciais, enquanto o varejo ampliado, mais sensível ao crédito, demonstra sinais de perda de dinamismo", diz.
O setor tem sido afetado pela desaceleração do consumo, que pressionou os balanços das empresas no segundo trimestre, além do aumento do endividamento das famílias.

