Por Redação

Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Brasil, o baiano Sidônio Palmeira, ganhou poderes acima do esperado para um estrategista de comunicação do governo e chegou a ser apelidado de “ministro polvo” por alas internas do Palácio do Planalto. É isso que expõe uma publicação da coluna Persona, do Jornal O Globo, neste domingo (7). Segundo a jornalista Jeniffer Gularte, o apelido “pegou” após o ministro ganhar o poder de influenciar outras áreas e temáticas no governo Lula.
Conhecido como o principal marqueteiro da campanha de Lula em 2022, Sidônio foi convocado a compor o governo em janeiro de 2025, em um cenário complicado para a imagem do terceiro mandato de Lula. A primeira crise resolvida pelo baiano ocorreu logo após a nomeação, quando convenceu o presidente Lula a revogar a portaria que tratava do monitoramento de movimentações financeiras por fintechs e bancos digitais. Na época, o argumento de Sidônio era que a normativa havia se transformado em uma campanha de desinformação contra o Pix, capitaneada por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que alcançou 300 milhões de visualizações em apenas dois dias.
Segundo O Globo, na equipe do Ministério da Fazenda, o pleito era de que revogar uma portaria que estava correta reforçaria a versão falsa e fortaleceria a narrativa de Nikolas Ferreira. Venceu a posição de Sidônio e a norma foi derrubada.
Desde então, o marqueteiro baiano passou a usar a carta branca que o presidente Lula lhe deu para assumir uma das cadeiras mais estratégicas do Palácio do Planalto e se tornou um dos principais conselheiros do petista. Fontes internas apontam que que Palmeira possui acesso irrestrito às mesas de discussão mais cruciais e uma voz que deixa digitais em decisões tomadas em toda a Esplanada. Em seu ministério, ele teria recebido aval até para tirar indicados da primeira-dama Janja na área da comunicação no primeiro biênio de Lula 3.
Na comunicação, o digital é o seu foco e, com ele, a Secom investiu R$ 132 milhões em 2025 e R$ 45 milhões de janeiro a maio de 2026 para ampliar o alcance de conteúdos em redes sociais e streamings. O número representa mais que o dobro do antecessor, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
Segundo o jornal O Globo, com o tempo, Sidônio começou a consolidar a sua fama na Esplanada de ministro que pede a cabeça de colegas que contribuem para a impopularidade do governo.

