Por Redação

Marina Ramos / Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta quarta-feira (17) que viajou para Portugal em um avião particular do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e que teve parte da hospedagem custeada por ele durante a estadia em Lisboa.
A manifestação ocorreu após a retirada do sigilo de documentos da Polícia Federal relacionados à Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Vorcaro está preso preventivamente. Motta afirmou que participou da viagem em 2024 a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e disse que, na ocasião, não havia conhecimento de irregularidades envolvendo o empresário.
Segundo o deputado, Vorcaro pagou duas diárias no hotel onde ficou hospedado. O relatório da Polícia Federal, no entanto, aponta que o ex-banqueiro teria arcado com cinco diárias, enquanto uma fatura analisada pelos investigadores registra cobrança referente a sete dias de hospedagem.
Os documentos também revelam mensagens em que Vorcaro trata da reserva de quartos para "Ciro e Hugo" em um hotel de luxo na capital portuguesa. Para a PF, as conversas, somadas aos comprovantes obtidos durante a investigação, reforçam que os pagamentos foram destinados à hospedagem de Hugo Motta e Ciro Nogueira.
Além da viagem, o relatório cita conversas entre Motta e Vorcaro sobre a liberação de um empréstimo de aproximadamente R$ 22 milhões para uma empresa ligada à cunhada do presidente da Câmara. Questionado, Motta não respondeu se atuou para viabilizar a operação, mas afirmou que o financiamento ocorreu dentro da legalidade.
Em nota, o presidente da Câmara declarou defender uma investigação "isenta e imparcial". Até a divulgação do relatório, Ciro Nogueira não havia se manifestado sobre o caso.

