Por Bianca Andrade

Foto: Divulgação
Um Projeto de Lei pode transformar o Afoxé Filhas de Gandhy em Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Salvador. A proposta, apresentada pelo vereador Felipe Santana (PSB), pontua a importância de salvaguardar o primeiro afoxé feminino do Brasil.
A agremiação — fundada por Glicéria Vasconcelos em 1979 e coordenada por sua filha, a dançarina, cantora e produtora cultural Silvana Magda — se tornou um símbolo de resistência em meio às adversidades que acometem os blocos menos comerciais do Carnaval de Salvador.

Na justificativa da proposta, o edil destaca que o Afoxé Filhas de Gandhy "surge como marco histórico ao inaugurar o protagonismo feminino dentro dessa tradição cultural, rompendo barreiras de gênero e ampliando a participação das mulheres — especialmente mulheres negras — nos espaços de expressão cultural e religiosa".
IMPACTO SOCIAL E COMUNITÁRIO
Com mais de quatro décadas de história, as Filhas de Gandhy vão além do que se vê na avenida. A agremiação promove, ao longo de todo o ano, ações educativas, formativas e comunitárias que contribuem para a transmissão de saberes tradicionais, o fortalecimento da economia criativa e a inclusão social de jovens e adultos em territórios populares.
Ao todo, cerca de 800 mulheres são atendidas nos projetos da instituição. Em entrevista ao Bahia Notícias, Franciane Simplício, responsável pela produção e captação de projetos, exaltou o poder de transformação do Afoxé:
"Através dos nossos cursos, conseguimos transformar a vida de diversas mulheres que passam por aqui durante todo o ano. A nossa ideia é que este projeto ajude no processo de transformação da realidade dessas mulheres e contribua para a autonomia delas."

Caso a proposta seja aprovada pela Câmara, o título de Patrimônio Imaterial garantirá:
A salvaguarda do patrimônio;
O respeito às comunidades, grupos e indivíduos envolvidos;
A conscientização local, nacional e internacional sobre a importância da manifestação;
O fomento à cooperação e assistência internacionais.
"O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial representa medida de justiça histórica e instrumento de salvaguarda de uma manifestação que integra o patrimônio simbólico da cidade, contribuindo para a proteção, valorização e continuidade das tradições afro-baianas, em consonância com os princípios constitucionais de promoção da cultura, da igualdade racial e do respeito à diversidade religiosa", afirma o vereador.
A proposta também colabora para uma das principais dificuldades do afoxé, a questão financeira. Com o reconhecimento, o título traz mais visibilidade para o bloco, despertando o interesse de patrocinadores.
PLANOS PARA 2027
Após um Carnaval de sucesso em 2026, o Afoxé Filhas de Gandhy já confirmou o desfile para a folia de 2027 com o tema “O Reino de Ajé Olokun: A Realeza do Ouro Abissal”.
O enredo propõe um mergulho nas profundezas do oceano para revelar a majestade de Olokun, divindade das águas profundas, e a força de Ajé, senhora da prosperidade.

Segundo a organização, a estética do desfile trará um contraste marcante entre o branco tradicional do afoxé e o brilho iridescente que remete ao petróleo sob a luz do sol, homenageando o "Ouro Negro".
“A nossa história precisa ser contada com respeito, mas também com a alegria vibrante que nos define. ‘Ouro Abissal’ representa a riqueza que carregamos em nossa essência”, destaca Silvana Magda.
As vendas para o desfile do próximo ano já foram iniciadas com valor promocional de R$ 350.


