Por Thiago Tolentino / Gabriel Lopes

Foto: Waltemy Brandão / Bahia Notícias
Um dos nomes mais associados à história da Axé Music e do Carnaval de Salvador, o cantor Durval Lelys comentou sobre o processo de criação musical e a construção de repertórios que atravessam gerações. A declaração foi dada em entrevista ao Bahia Notícias, já na madrugada deste sábado (14), no Camarote Brahma, no Circuito Barra-Ondina.
Ao ser questionado sobre o que diferencia músicas que permanecem ao longo do tempo daquelas criadas apenas para o momento, o artista destacou a própria trajetória como compositor e o papel da identificação do público com as canções.
“Eu sou um compositor de décadas, passei 15 anos da minha vida sendo um dos 10 maiores de arrecadadores de direito autoral por execução, quer dizer que as pessoas repetindo as minhas músicas. Eu acho que todas as músicas de uma forma geral são bem-vindas. Tem dentro do nosso repertório as músicas que são mais apelativas para felicidade, para o hit, para os refrões quentes. Tem as músicas românticas, que são mais para a galera curtir o lado forte, emoção. Tem a moda, que é quando os ritmos chegam e a gente se adapta. Eu tenho mais de 2 mil músicas escritas e quase todas em fase de edição. Eu acho que até o final da minha vida eu vou fazer isso acontecer”, iniciou.
Durante a conversa, Durval também direcionou um recado a compositores, ao abordar a relação entre criação, autenticidade e interpretação artística.
“O que eu digo aos compositores: trabalhem com o coração, sejam verdadeiros e não só apelativos. A grande mensagem é aquela que sai da criação, e todos os artistas tem isso dentro do coração, não é só a música do compositor que vai fazer ela ser sucesso. É o artista que personaliza, personifica a música, que integra ao seu trabalho e é aí onde vem o respeito”, disse.
O cantor ainda refletiu sobre o papel dos intérpretes e a construção coletiva dos gêneros musicais, citando diferentes estilos presentes na música popular brasileira.
“Uma música não nasceu para vários artistas, agora vários artistas nasceram para uma música. Então quando ela campeã, ganha [prêmio], mas seja selecionada, os artistas tem que cantar para levantar a uniformidade e a união dos compositores do nosso grande conteúdo que é formar um conceito musical que é o Axé, o Pagode, o Sertanejo, o Arrocha”, finalizou.


