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Opinião: Mendonça, Moraes e o modelo de Brasil que nasceu errado desde 7 de setembro de 1822



Por Fernando Duarte
Foto: Pedro Américo


O desgaste das instituições republicanas brasileiras parece ter chegado um ponto de não retorno. Pelo menos seria o esperado para um país das dimensões continentais e históricas como o nosso. Infelizmente, a perspectiva de um grande acordo nacional é o caminho mais provável diante das tensões entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).



André Mendonça e Alexandre de Moraes não trocaram fogo cruzado. Jogaram com o STF e o STF em uma condição inédita, de entranhas expostas. E, para quem conhece um pouco dos bastidores de Brasília, sabe que nada do que foi tornado público chega a ser uma surpresa. Convescotes e relações abaixo da superfície sempre fizeram parte dos homens de poder. Não adianta qualquer um dos envolvidos pagar de paladino da moralidade, pois, no fundo, todos são pares que compartilham visões muito parecidas de mundo.



Há quem sugira que o episódio envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e os podres poderes da República abala as estruturas da República. Na verdade, ele é apenas mais um episódio da fragilização do Brasil enquanto país. No passado recente, vimos outros tantos escândalos com potencial de mudar os rumos do país e a permanência do status quo foi a única constante registrada. Isso vale para todos os ocupantes da presidência desde 1989 - para não irmos ainda mais longe, com os dois imperadores e o período regencial após o 7 de setembro de 1822.



O desafio de outubro na eleição passa também por isso. Porque, dentre todos postulantes, não há opções que modifiquem o modelo de gestão pública. Há alguns que propõe a piora, inclusive, sob o manto de "tirar tudo o de ruim que está aí". Engana-se demais quem acredita nessas promessas, tão vazias quanto a possibilidade que André Mendonça e Alexandre de Moraes estarem imbuídos dos melhores desejos para o Brasil.



Ao invés de se inspirarem no modelo proposto no 7 de setembro, talvez o mais próximo da população seja acolher o que nasceu no 2 de julho de 1823. Pena que o apagamento histórico tenha feito próprio projeto de nação escolhido e mantido há mais de dois séculos. Mas isso é tema para outras análises...

Leia o texto em voz alta:


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