Por Edu Mota, de Brasília

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou na última terça-feira (20) números estarrecedores sobre a violência contra a mulher no Brasil. Segundo o órgão, em 2025, o Brasil registrou o maior número de casos de feminicídio já contabilizados no país, com o total de quatro mulheres assassinadas por dia.
No total, foram registrados 1.470 feminicídios, número que superou o do ano de 2024, que já havia batido o recorde anteriormente, com 1464 vítimas. A taxa nacional ficou em 0,69 morte a cada 100 mil habitantes, a mesma registrada em 2022, 2023 e 2024.
Os registros do Sinesp mostraram que os casos de feminicídio se concentraram principalmente em estados mais populosos. São Paulo liderou em números absolutos, com 233 feminicídios, seguido por Minas Gerais, que somou 139 casos.
A Bahia registrou 103 feminicídios no ano de 2025. Apesar da queda de 6% em relação ao ano anterior, o estado ocupa o quarto lugar no ranking nacional desse tipo de morte, de acordo com os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Os dados do Sinesp são contabilizados desde 2015. Ao todo, 13.448 mulheres foram mortas no país ao longo de 10 anos. No topo do ranking estão São Paulo com 1.774, Minas Gerais com 1.641 e Bahia com 892 casos.
A gravidade dos números divulgados na última terça (20), com o registro de mais um lamentável recorde do país na violência cometida contra as mulheres, não recebeu a devida atenção da bancada de parlamentares da Bahia no Congresso Nacional. A passagem do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, nesta quarta (21), mobilizou mais citações do que as estatísticas sobre feminicídio.
Levantamento do Bahia Notícias nas redes sociais de todos os 39 deputados federais e dos três senadores baianos revela que apenas dois deles fizeram postagens destacando especificamente os números sobre a violência cometida contra as mulheres: foram eles Alice Portugal (PCdoB) e Capitão Alden (PL).
A deputada Alice Portugal fez uma postagem expressando toda a sua indignação em relação aos números divulgados pelo Sinesp, afirmando serem eles alarmantes e revoltantes. Alice disse ser preciso enfrentar esse problema com seriedade, compromisso e ação permanente para proteger a vida das mulheres, já que, segundo ela, “o silêncio também mata”.
“O Brasil enfrenta o cenário mais grave já registrado de feminicídios, e a Bahia aparece como o quarto estado com mais ocorrências. Por trás de cada estatística existem mulheres, histórias interrompidas e famílias destruídas. A violência de gênero não pode ser normalizada nem tratada como rotina”, disse a deputada baiana.
Em outra linha, a postagem do deputado Capitão Alden (PL), que é o vice-líder da oposição na Câmara, além de chamar a atenção para as graves estatísticas de feminicídios que bateram recorde em 2025, faz críticas ao governo Lula em relação à segurança pública. Alden destacou também os números de feminicídios no estado da Bahia.
“Não é o Lula o governo do amor?”, ironizou Alden, ao falar sobre o crescimento dos casos de feminicídio durante o governo do líder petista.
Já a deputada Ivoneide Caetano, do PT, não falou especificamente a respeito dos números de feminicídios, mas postou destacando o movimento que lançou no último sábado (17) em defesa das mulheres e para redução dos casos na Bahia. O movimento se chama “Mulheres Vivas - Basta de Feminicídio”.
Segundo a deputada, a iniciativa “reforça o compromisso do mandato com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres, transformando o combate ao feminicídio em uma prioridade permanente”.
Ivoneide afirma que a intenção do movimento é percorrer diversas cidades da Bahia visando denunciar a violência de gênero, fortalecer a rede de proteção e construir soluções concretas para salvar vidas.


