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Ex-sócio de Vorcaro no Master, Augusto Lima assumiu passivo de R$ 6 bi na aquisição do Voiter



Por Adriana Fernandes | Folhapress
Foto: FreeImage / Reprodução Metrópoles


Ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima assumiu um passivo de R$ 6 bilhões em CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) ao comprar no ano passado o Voiter, banco que fazia parte do conglomerado de Daniel Vorcaro, levando o BC (Banco Central) a exigir a suspensão da emissão de novos papéis.


A dívida, assumida por Lima com a aquisição do banco, fez parte das negociações de venda do Voiter e passou pelo radar do BC na análise da operação, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem na condição de anonimato.


Com a compra do Voiter, que foi rebatizado de Banco Pleno, Lima assumiu com seu patrimônio pessoal, estimado em R$ 1 bilhão, o pagamento do passivo, que além dos CDBs inclui também uma dívida com o ex-dono do Voiter (antigo Indusval) da família Resende Barbosa.


O BC aprovou a venda do Voiter para Lima em julho de 2025, no momento em que analisava a venda do Master para o BRB, o banco estatal de Brasília.


A autorização ocorreu mais de um ano após a saída de Lima do Master -ele havia deixado o banco no fim de abril de 2024, quando vendeu a sua participação na holding para o próprio Vorcaro.


O comunicado do BC sobre a liquidação do Master lista sócios e diretores, sem trazer o nome de Lima. Porém o nome do banqueiro continuava figurando como diretor do Master no site da Receita Federal, em consulta feita pela reportagem na sexta-feira (9), conforme a Folha de S. Paulo mostrou.


O processo de venda da participação de Lima no Master não precisou passar pelo crivo do BC, seguindo a legislação, mas, quando Lima decidiu depois comprar um pedaço do Master, o Voiter, a operação teve que ser analisada pela autoridade que regula o sistema bancário.


Na época da análise, o banqueiro não era investigado por suspeita de envolvimento em fraude contra o sistema financeiro, enquanto já havia suspeitas no BC de que o Master vendeu carteiras falsas de crédito. Ele foi preso em novembro na primeira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal e, assim como Vorcaro, foi solto. Em dezembro do ano passado, após a prisão, Lima e uma diretora do Pleno foram afastados do comando do banco pelo BC.


No plano de negócios submetido à diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, então chefiada por Renato Gomes (cargo que ocupou até o fim de seu mandato em 31 de dezembro de 2025), o BC exigiu que banco não mais emitisse novos CDBs para não aumentar a exposição ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) -ou seja, que não vendesse mais títulos com o seguro do fundo. Também foram exigidos aportes de capital pelo novo controlador para dar sustentação ao patrimônio do Voiter.


Meses depois, a decisão acabaria reduzindo o impacto da quebra do Master sobre o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que terá que pagar R$ 40,6 bilhões, em valores recém-atualizados, para honrar os CDBs emitidos e vendidos pelo Master no mercado.


Os elementos principais do plano previam também uma estratégia bancária focada no crédito consignado, via o Credicesta (principal produto do Master), e no atacado. Lima terá que responder ao BC em caso do seu descumprimento. O plano de negócios é uma peça que o candidato a controlador submete para o Banco Central com efeito vinculante por cinco anos.


Quando o BC aprovou a venda e permitiu Lima ser dirigente do banco, o orgão já estava investigando as denúncias de fraude com carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master ao BRB (Banco de Brasília), antes do anúncio de compra do banco pelo banco do governo do Distrito Federal, como mostrou a Folha de S. Paulo.


O pleito foi analisado com base na resolução 4.970 do CMN (Conselho Monetário Nacional), de 2021, que trata dos requisitos para autorização, cancelamento, fusão, cisão, mudança de controle, entre outros, em um único normativo.


A norma determina a análise do pleito com base na capacidade técnica, reputação e viabilidade econômica do novo controlador e capacidade técnica. Lima já tinha um histórico de setor bancário. Na checagem, não havia elementos para dizer que a reputação dele não era ilibada. Ele também comprovou a origem do dinheiro para a compra do banco e assumiu as dívidas que o Master tinha com o antigo proprietário do Voiter, Roberto Barbosa. Lima assinou um instrumento legal que transferia para si a responsabilidade pela dívida.


A compra do Voiter levou Lima a assumir um pedaço do risco do Master - ponto que tem intrigado os investigadores e vem sendo alvo do trabalho de apuração do caso, que segue em curso.


Procurado, o Banco Pleno afirma que é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil, em cumprimento a todos os requisitos da resolução 4.970 do Conselho Monetário Nacional (CMN), incluindo capacidade técnica, capacidade financeira, reputação ilibada e origem lícita dos recursos.


"Desde o início de suas operações, a exposição do Banco Pleno ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vem sendo progressivamente reduzida", afirma o banco.


Segundo o banco, o plano de negócios aprovado pelo BC está sendo seguido rigorosamente, inclusive com a realização dos dois aportes de capital de R$ 80 milhões previstos.


"O Banco Pleno jamais foi alvo de qualquer medida de restrição ou objeto da investigação policial em curso. O economista Augusto Ferreira Lima está afastado da gestão do banco desde 18 de novembro de 2025."


Já os advogados de defesa de Lima destacam que as operações sob investigação são posteriores à saída de Augusto Lima do Banco Master, ocorrida em maio de 2024, e não possuem qualquer relação com sua atuação profissional ou com decisões tomadas durante sua permanência na instituição. "A apuração deixará evidente a inexistência de vínculo entre Lima e os fatos examinados", diz a nota da defesa.

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